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quinta-feira, 26 de julho de 2012

O pastoreio



Queremos olhar para a figura do Bom Pastor, Jesus Cristo. Ele percorreu um caminho de alteridade, de encontro com as ovelhas, com as pessoas, para as quais deveria pastorear. Teve como perfil a autenticidade, atitude que deve ser perseguida por todas as autoridades verdadeiramente constituídas.
Neste ano vamos, mais uma vez, escolher as novas autoridades dos municípios. Agora é a corrida para as candidaturas, os conchavos políticos e as campanhas eleitorais. Em grande parte dos casos, não passa de uma busca de poder, de estabilidade e até de conforto econômico.
Ser autoridade, prefeito ou vereador, é ter poder com sufrágio dos eleitores. Isto deve acontecer de forma livre e responsável. Aqui cabe o adágio popular: "Voto não tem preço, tem consequências". É hora de refletir sobre que tipo de autoridade queremos para conduzir os destinos dos nossos municípios.
O trabalho de qualquer autoridade precisa ser como um pastoreio. É fundamental olhar para Jesus Cristo, que agiu com autoridade de Deus. E toda verdadeira e autêntica autoridade vem de Deus. E uma das exigências é que seja honesta e justa em sua gestão, olhado para as necessidades do povo, e não própria.
A sociedade tem estado carente de boas autoridades. Em certos momentos podemos até dizer as palavras de Jesus, quando viu o povo sem esperanças: "eram como ovelhas sem pastora" (Mc 6, 34). O descuido e a omissão dos pastores, das autoridades, prejudicam a comunidade.
Na visão do profeta Jeremias, Deus condena os maus líderes, aqueles que deixam o povo sem perspectiva de futuro, sem segurança, justiça e paz. Eles devem ser substituídos por quem age com dignidade e respeito, como Cristo que deu a vida por suas ovelhas.
Nós, eleitores, vamos escolher quem vai nos conduzir. A responsabilidade recai sobre quem vota sem medir as consequências e o peso de sua escolha. De certa forma, torna-se cúmplice com quem for mal escolhido e terá que sofrer, durante quatro anos, pelo que fez, tendo que se sujeitar a ação de um poder inconsequente.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Início da Quaresma - Dom Paulo Mendes Peixoto


Fazer o trajeto em direção ao mistério da Páscoa, passando pela Quaresma, é acreditar na possibilidade de transformação e renovação da vida. São quarenta dias como momento penitencial, de interiorização e descoberta da riqueza da nossa identidade cristã.
                                 
No passado a Quaresma era tempo de preparação para o batismo, administrado na noite pascal. Ele era entendido como participação no processo de reconciliação acontecido no sacrifício de Cristo na cruz. Portanto, é tempo de renovar os compromissos batismais e de vida em Deus.

A celebração da Quaresma implica novas chances. Por isto cantamos: "eis o tempo de conversão". É tempo de confiança e harmonia com Deus. Na instabilidade da cultura, fazendo-nos desprovidos diante do mal, Deus acolhe generosamente quem é forte na fé e no amor.

Diante das forças da maldade que acontecem nas diversas dimensões do cotidiano, o amor divino tem, incondicionalmente, a última palavra. Deus é a palavra de misericórdia, que faz aliança conosco, tornando-nos novas criaturas. Assim Ele revela seu amor e fidelidade para com a humanidade.

As cinzas da quarta-feira foram a marca do início de caminhada, da passagem da morte para a vida, da purificação da consciência, ferida pelas injustiças e atos desregrados, para uma vida ressuscitada. Tudo isto supõe profunda atitude de fé e compromisso.

É fundamental que haja a vitória do bom sobre o mal que está presente e entrelaçado nas riquezas da nova cultura. Ele é uma tentação que, sorrateiramente, atinge as pessoas e as envolve, tirando-lhes a dignidade.

A Quaresma é um convite à fé e confiança. É também anúncio da boa-nova, da boa notícia do Reino de Deus. Estamos muito mais sintonizados com notícias ruins do que com as boas, basta ligar os jornais televisivos. É hora de dar nova postura à vida.

Vamos viver um tempo penitencial na entrega a Deus, numa atitude de volta, de abrir o coração e ter a experiência da reconciliação, participando da vida nova do Senhor. A meta da Quaresma é a Páscoa, a vida mais saudável com Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto.

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